 A exposição de crianças e jovens nas redes vai muito além da privacidade e pode dar margem a cyberbullying e até aliciamento on-line
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A recente troca de acusações públicas entre as mães das filhas de Neymar, somada à denúncia contra o influenciador Hytalo Santos, exposta pelo youtuber Felca, trouxe novamente à tona um debate urgente: até que ponto a exposição de crianças na internet é segura?
O fenômeno, conhecido como sharenting – união dos termos share (compartilhar) e parenting (paternidade) – vem crescendo rapidamente no Brasil.
Dados da AVG Technologies mostram que 81% das crianças com menos de dois anos já possuem algum tipo de presença digital criada pelos pais, muitas vezes sem qualquer consentimento futuro.
Riscos emocionais e de segurança
Para além da exposição midiática, os efeitos do sharenting preocupam especialistas. De acordo com a especialista em comportamento humano Gisele Hedler, o impacto dessa prática vai muito além da perda de privacidade. “A infância é uma fase de formação da identidade, em que a criança ainda não tem maturidade para compreender as consequências de sua exposição.
Quando pais e responsáveis publicam constantemente a rotina dos filhos, estão, na prática, transferindo para eles uma pressão social que pode gerar ansiedade, baixa autoestima e até prejudicar o desenvolvimento das relações interpessoais”, explica.
Os riscos também se estendem à segurança. Imagens aparentemente inocentes podem ser utilizadas de forma indevida, dando margem a cyberbullying, exploração de dados pessoais e até aliciamento on-line.
“O ambiente digital não oferece controle sobre como esses conteúdos serão replicados, recortados ou até manipulados. Isso amplia a vulnerabilidade da criança em uma fase em que ela deveria estar protegida”, alerta Hedler.
Um dilema coletivo
Para a especialista, é urgente que pais e responsáveis reflitam sobre os limites do compartilhamento: “Existe uma linha tênue entre registrar memórias e transformar a infância em espetáculo. O impacto psicológico e social dessa exposição pode se estender por toda a vida adulta”, afirma.
O debate, embora tenha ganhado visibilidade com casos como o de Neymar e Hytalo Santos, reflete uma realidade vivida em milhões de lares brasileiros.
“Essa não é uma discussão restrita ao universo das celebridades. Todos os pais estão diante da responsabilidade de equilibrar o desejo de mostrar a vida dos filhos com o dever de protegê-los”, conclui Hedler.
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