 O Sistema Cantareira é o maior manancial da Região Metropolitana de São Paulo, e segue com pressão reduzida para o abastecimento
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O Sistema Cantareira, maior conjunto de represas responsável pelo abastecimento hídrico da Região Metropolitana de São Paulo, atingiu na última sexta-feira (24) o menor nível em 10 anos, segundo dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
O reservatório opera com 24,2% do volume útil, ou seja, a parcela de água que pode ser efetivamente utilizada para o abastecimento público.
A última vez que o sistema esteve tão seco foi em 1º de março de 2016, quando marcava 24% da capacidade, num momento em que começava a se recuperar da crise hídrica histórica de 2014 a 2016, período em que o Cantareira chegou a operar com o chamado “volume morto”, o nível abaixo do mínimo de captação.
 Com capacidade total de 973 milhões de metros cúbicos, o sistema não superou os 60% de armazenamento em nenhum momento de 2025
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Com capacidade total de 973 milhões de metros cúbicos, o sistema não superou os 60% de armazenamento em nenhum momento de 2025, reflexo de um período chuvoso insuficiente para recompor os reservatórios. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o estado enfrenta atualmente um quadro de “seca moderada”, e as chuvas do início da estação ainda não foram suficientes para elevar os níveis de água.
Diante da situação, a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) determinou, desde setembro restrição na retirada de água do Cantareira, reduzindo a vazão de 27 para 23 metros cúbicos por segundo. A medida foi acompanhada por uma autorização da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) para transpor parte das águas da bacia do Rio Paraíba do Sul para o sistema, em uma tentativa de amenizar o esvaziamento.
Além disso, a Sabesp passou a adotar um controle mais rigoroso na distribuição de água, incluindo a redução da pressão nas redes durante o período noturno, quando o consumo é menor. Essa prática, segundo a companhia, ajuda a evitar perdas por vazamentos e a prolongar a reserva disponível, sem necessidade de implantar racionamento oficial.
Para Vicente Andreu, ex-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), o cenário é de atenção. “O Cantareira depende fortemente das chuvas de verão para se recompor. Se o volume continuar abaixo da média, o risco de uma nova crise hídrica no início de 2026 não pode ser descartado”, afirma.
O Sistema Cantareira abastece cerca de 7 milhões de pessoas na Grande São Paulo e é considerado o principal termômetro da segurança hídrica do estado. A Sabesp reforça o apelo para o uso consciente da água, recomendando economia nas atividades domésticas e o reaproveitamento sempre que possível.
Confira 7 dicas para economizar água em casa
• Reduza o tempo do banho: cada minuto a menos pode economizar até 15 litros de água;
• Feche a torneira: ao escovar os dentes ou fazer a barba;
• Reaproveite a água: Usar a água da máquina de lavar para limpar quintais e calçadas;
• Verifique vazamentos: em torneiras, descargas e caixas d’água; pequenas goteiras podem gerar grandes perdas;
• Use baldes: em vez de mangueiras para lavar o carro ou regar plantas;
• Acumule: roupas e louças para lavar de uma só vez, aproveitando melhor o uso da máquina;
• Prefira: plantas nativas ou resistentes à seca, que demandam menos regas.
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