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Pneumonia em idosos: casos em alta, sintomas atípicos e vacinação pelo SUS reforçam alerta |
 Em idosos, os sintomas clássicos como febre alta, tosse produtiva e dor no peito, podem ser leves ou inexistentes
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A internação do narrador e apresentador Galvão Bueno, 74, voltou a colocar a pneumonia no centro das atenções, especialmente pela forma discreta com que a doença pode se manifestar em idosos. Segundo familiares, a suspeita inicial de um problema renal não se confirmou. O mal-estar tinha origem nos pulmões: tratava-se de uma pneumonia viral sem os sintomas respiratórios mais comuns, como febre, tosse ou falta de ar. A informação foi revelada por sua filha, Letícia Bueno, ao colunista Flávio Ricco.
Galvão chegou a ser encaminhado para a UTI, apresentou melhora nos dias seguintes e recebeu alta no dia 21 de novembro. Por conta da internação, ele precisou cancelar compromissos profissionais. “Ele está bem e melhorando. Muito em breve já estará na ativa novamente”, escreveu Letícia nas redes sociais.
O caso ocorre em um momento em que a pneumonia apresenta crescimento expressivo no país. Dados do DataSUS mostram que, em 2024, o número de internações no sistema público aumentou 5% em relação ao ano anterior: foram 701 mil pacientes internados, ante 666,9 mil em 2023. A mortalidade também subiu de forma preocupante (12%) passando de 65.846 para 73.813 óbitos.
No estado de São Paulo, o avanço foi ainda mais intenso. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, as internações cresceram 6,7% entre 2023 e 2024, enquanto as mortes aumentaram quase 13%, de 23.084 para 25.983. Os números reforçam a necessidade de vigilância epidemiológica mais detalhada e atenção às manifestações menos típicas.
Em idosos, os sintomas clássicos, como por exemplo, febre alta, tosse produtiva e dor no peito, podem ser leves ou inexistentes. Muitas vezes, a doença se apresenta com sinais inespecíficos, como confusão mental, desorientação ou queda repentina no estado geral. “Em pacientes idosos, o adoecimento grave raramente é isolado. O corpo reage de forma sistêmica, e cabe ao profissional de saúde identificar rapidamente quadros complexos para evitar desfechos graves”, explica Maria Enedina Scuarcialupi, pneumologista e professora da Afya Paraíba.
O tratamento costuma incluir antibióticos e pode ser realizado em casa quando o quadro é estável. Já situações graves, com alteração de consciência, desidratação severa, queda de pressão ou dificuldade respiratória, exigem internação e monitoramento contínuo, explica a profissional.
A prevenção é uma das principais estratégias para conter o avanço da doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinas pneumocócicas para idosos e grupos prioritários, medida essencial para reduzir complicações, hospitalizações e mortes. Com a alta de casos e a apresentação muitas vezes silenciosa em idosos, reconhecer sinais atípicos e buscar atendimento rápido pode ser decisivo para evitar desfechos graves. |
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