 O Cantareira está classificado em condição de seca hidrológica extrema a excepcional, segundo indicadores técnicos usados pelo Cemaden
|
O Sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento de água da cidade de São Paulo e de parte da Região Metropolitana, vive uma das situações mais críticas, desde a crise hídrica de 2014 e 2015.
Dados recentes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que o sistema deve encerrar o atual período chuvoso com níveis baixos, elevando o risco de desabastecimento ao longo de 2026.
Responsável pelo abastecimento de 8 milhões de pessoas, o Sistema Cantareira é formado por cinco reservatórios: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Devido a escassez de chuva de 2025, considerada uma das temporadas mais secas dos últimos 10 anos, o Cantareira operava com cerca de 19% do volume útil, de acordo com medições mais recentes.
Segundo as regras de operação definidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo DAEE, quando o nível do Cantareira fica abaixo de 30%, o sistema entra na faixa de “Restrição”. Isso significa que é necessário retirar menos água dos reservatórios para evitar um colapso total.
Analisando diferentes cenários para 2026, pesquisadores do Cemaden afirmam que mesmo se as chuvas voltarem à média histórica, o sistema deve terminar março com cerca de 39% do volume útil, ainda em situação de alerta.
 Nível crítico do Sistema Cantareira pode afetar o abastecimento na capital e região metropolitana
|
Se as chuvas ficarem 25% ou 50% abaixo da média, os volumes projetados caem para 28% e 20%, mantendo o Cantareira na faixa de restrição. A Agência Nacional de Águas também acompanha o cenário com preocupação.
Para Alan Vaz, superintendente de operações para eventos críticos da ANA, o ano de 2026 deve ser marcado por restrições prolongadas. “Vamos trabalhar o ano inteiro sob restrição, com redução ainda mais intensa de água. Será um período longo de contenção que vai afetar todos os que são abastecidos pelo Cantareira”, diz.
Na prática, essa redução resulta em menor pressão nas tubulações, o que faz com que bairros mais altos e regiões periféricas sejam os primeiros a sentir os efeitos do desabastecimento - algo que já vem sendo registrado em algumas áreas da capital. Caso o cenário não mude, São Paulo pode enfrentar: abastecimento sob restrição ao longo de todo o ano, sendo possível retomada de multas para consumo excessivo, como ocorreu em 2014.
O que o Governo do Estado e a Sabesp estão fazendo?
Diante da crise, o Governo de São Paulo e a Sabesp (empresa responsável pelo abastecimento) têm adotado uma série de medidas como: redução da pressão da água, gestão por faixas operacionais podendo ter rodízio de abastecimento se necessário, obras e interligações estratégicas entre sistemas de água, como a ligação do Rio Itapanhaú ao Sistema Alto Tietê, além de ampliaram caixas d’água para comunidades vulneráveis, reforçando equipes de manutenção para situações emergenciais e suspensão de direito de água.
|