 O tratamento é individualizado e pode incluir mudanças na alimentação, manejo do estresse, uso de medicamentos
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O mês de abril marca o Mês de Conscientização sobre a Síndrome do Intestino Irritável (SII), um distúrbio que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e ainda é cercado por dúvidas e subdiagnóstico.
A conscientização tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre os sintomas, causas e a importância do acompanhamento médico adequado.
De acordo com a médica gastroenterologista Maria Júlia Colossi, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, a conscientização é essencial para reduzir o impacto da doença na qualidade de vida. “O conhecimento ajuda as pessoas a identificarem os sintomas precocemente e entenderem que não se trata de algo ‘normal’. Muitas convivem com dor e desconforto por anos sem buscar avaliação especializada”, explica.
A Síndrome do Intestino Irritável é classificada como um distúrbio funcional do intestino, ou seja, não apresenta alterações estruturais visíveis em exames, mas essa definição está em evolução. Com a proximidade da divulgação do novo consenso internacional durante o Digestive Disease Week, especialistas passam a adotar o termo “Doenças da Interação Intestino-Cérebro”, reforçando que a comunicação entre esses sistemas tem papel central no desenvolvimento da condição. “A SII é crônica e pode oscilar entre períodos de melhora e piora, geralmente relacionados a fatores emocionais, alimentação e rotina. Essa interação entre intestino e cérebro é fundamental para entender os sintomas e direcionar o tratamento”, afirma a médica. Entre os principais sintomas estão: dor ou desconforto abdominal recorrente, distensão abdominal, gases excessivos, diarreia, constipação intestinal ou a alternância entre ambos, além da sensação de evacuação incompleta e urgência para evacuar. “Apesar de não causar complicações graves, a condição pode impactar significativamente o bem-estar físico e emocional”, destaca.
As causas da Síndrome do Intestino Irritável são multifatoriais e envolvem alterações no eixo intestino-cérebro, além da influência de fatores emocionais. O quadro pode estar relacionado à hipersensibilidade visceral, contrações intestinais anormais, infecções intestinais prévias, desequilíbrio da microbiota e sensibilidade alimentar. “A SII tem uma forte ligação com o estresse, ansiedade e outros fatores emocionais. Também existem influências da microbiota intestinal, sensibilidade aumentada do intestino e fatores alimentares que podem desencadear ou agravar os sintomas”, explica.
O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um especialista, com avaliação detalhada e exclusão de outras doenças. O tratamento é individualizado e pode incluir mudanças na alimentação, manejo do estresse, uso de medicamentos e acompanhamento contínuo. “Com diagnóstico correto e tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida.
Por isso, o acompanhamento regular é fundamental, já que a condição pode variar ao longo do tempo e as adaptações de tratamento são essenciais”, conclui Maria Júlia Colossi.
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