 Apesar de ser um dos programas de saúde preventiva mais importante do país, ainda enfrenta críticas por falta de transparência e desigualdade entre os estados
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Sábado dia 6 de junho, marca a conscientização sobre a importância do Teste do Pezinho, exame de Triagem Neonatal essencial para identificar precocemente doenças graves que podem comprometer o desenvolvimento e até a vida de recém-nascidos.
Em 2026, a Triagem Neonatal completa 25 anos no Brasil, reforçando a relevância do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).
Apesar dos avanços, o país ainda enfrenta desafios importantes na ampliação e na qualidade da triagem, especialmente em relação à coleta, ao transporte das amostras e ao acesso ao diagnóstico e tratamento.
O Teste do Pezinho, realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê, consiste na coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido. O material é depositado em papel-filtro e enviado para análise laboratorial.
Disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o exame é obrigatório em todo o país e pode identificar doenças como: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, doença falciforme, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. A detecção precoce permite início imediato do tratamento, reduzindo complicações e garantindo melhor qualidade de vida.
Mitos e verdades
Teste do Pezinho é o mesmo que carimbo plantar? Não. O Teste do Pezinho é um exame laboratorial feito com sangue do calcanhar do bebê. Já o carimbo plantar serve apenas para identificação e segurança hospitalar, evitando troca de recém-nascidos.
O resultado sai na hora? Não. Trata-se de um exame de triagem. Os resultados podem levar até cinco dias após a chegada ao laboratório. Em casos suspeitos, há acionamento imediato da rede de saúde para investigação confirmatória.
Todo hospital realiza o exame? Nem sempre. Em muitos estados, a coleta ocorre em maternidades, mas a maior parte depende das unidades básicas de saúde.
O Teste do Pezinho é obrigatório por lei? Sim. A obrigatoriedade está prevista na Lei nº 14.154/2021, que ampliou o Programa Nacional de Triagem Neonatal e alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Cenário atual e desigualdades
Apesar de ser um dos programas de saúde preventiva mais importante do país, o PNTN (Programa Nacional de Triagem Neonatal do Sistema Único de Saúde) ainda enfrenta críticas por falta de transparência e desigualdade entre os estados.
A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM) tem atuado junto ao Ministério da Saúde para reforçar a necessidade de maior monitoramento e divulgação de dados atualizados sobre o programa. Segundo especialistas, o governo federal não publica informações completas desde 2024, o que dificulta a avaliação real do cenário da Triagem Neonatal no país.
A entidade alerta ainda que estados das regiões Norte e Nordeste enfrentam atrasos e falhas na cobertura, o que compromete o diagnóstico precoce e o início adequado do tratamento. De acordo com a SBTEIM, a cobertura do exame ainda não alcança 80% dos recém-nascidos, e a coleta muitas vezes ocorre fora da janela ideal. A recomendação é que o teste seja feito na primeira semana de vida.
A presidente da SBTEIM, dra. Carolina Fischinger, reforça a necessidade de educação continuada sobre a importância do exame e de sua realização precoce. “O desafio do país não é apenas ampliar a triagem, mas garantir toda a linha de cuidado: diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Sem isso, o programa não atinge seu objetivo pleno de reduzir mortes evitáveis e promover equidade em saúde infantil”, explica.
A entidade também defende a implementação completa da ampliação prevista em lei e a criação de relatórios anuais oficiais por parte do Ministério da Saúde, como forma de fortalecer a política pública de Triagem Neonatal no Brasil.
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